"Tenho a impressão que a vida, as coisas foram
me levando. Levando em frente, levando embora,
levando aos trancos, de qualquer jeito. Sem se
importarem se eu não queria mais ir. Agora olho em
volta e não tenho certeza se gostaria mesmo de
estar aqui."
quinta-feira, 19 de junho de 2008
terça-feira, 17 de junho de 2008
- "Por que o amor, como a morte, também existe – e
da mesma forma dissimulada. Por trás, inaparente.
Mas tão poderoso que, da mesma forma que
a morte – pois o amor é uma espécie de morte
(a morte da solidão, a morte do ego trancado,
indivisível, furiosa e egoisticamente incomunicável)
– nos desarma. O acontecer do amor e da morte
desmascaram nossa patética fragilidade.
Como amor e morte não se separam – feito
quem diz “era uma vez”, conto: na tarde de
sábado, estava eu assustadamente dentro
do amor (eu não acreditava mais que o amor
existisse, e a vida desmentia)"
C.F. Abreu
domingo, 15 de junho de 2008
domingo, 4 de maio de 2008
É uma morte que vive
pernambulando nas dúvidas,
nos enterramos vivos
pensando no morrer,
vivemos mortos
pensando no viver
e quem iré chorar
as lágrimas que me caíram?
saberás da minha morte
e pisarás no meu túmulo?
ou a primeira pá de terra será sua,
juntamente com a vivacidade
de uma pétala de rosa?
"quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores"
pernambulando nas dúvidas,
nos enterramos vivos
pensando no morrer,
vivemos mortos
pensando no viver
e quem iré chorar
as lágrimas que me caíram?
saberás da minha morte
e pisarás no meu túmulo?
ou a primeira pá de terra será sua,
juntamente com a vivacidade
de uma pétala de rosa?
"quem pagará o enterro e as flores se eu morrer de amores"
quarta-feira, 30 de janeiro de 2008
Morre lentamente quem ..
Morre lentamente quem não troca de idéias, não troca de discurso, evita as próprias contradições.
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não da papo para quem não o conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru, seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita ema paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos, soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e que na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntandp sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagem o que sabe.
Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante.
Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menosevitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior que simplesmente respirar.
Martha Medeiros
Morre lentamente quem vira escravo do hábito, repetindo todos os dias o mesmo trajeto e as mesmas compras no supermercado. Quem não troca de marca, não arrisca vestir uma cor nova, não da papo para quem não o conhece.
Morre lentamente quem faz da televisão o seu guru, seu parceiro diário. Muitos não podem comprar um livro ou uma entrada de cinema, mas muitos podem, e ainda assim alienam-se diante de um tubo de imagens que traz informação e entretenimento, mas que não deveria, mesmo com apenas 14 polegadas, ocupar tanto espaço em uma vida.
Morre lentamente quem evita ema paixão, quem prefere o preto no branco e os pingos nos is a um turbilhão de emoções indomáveis, justamente as que resgatam brilho nos olhos, sorrisos, soluços, coração aos tropeços, sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz no trabalho, quem não arrisca o certo pelo incerto atrás de um sonho, quem não se permite, uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não acha graça de si mesmo.
Morre lentamente quem destrói seu amor-próprio. Pode ser depressão, que é doença séria e requer ajuda profissional. Então fenece a cada dia quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente quem não trabalha e quem não estuda, e que na maioria das vezes isso não é opção e, sim, destino: então um governo omisso pode matar lentamente uma boa parcela da população.
Morre lentamente quem passa os dias queixando-se da má sorte ou da chuva incessante, desistindo de um projeto antes de iniciá-lo, não perguntandp sobre um assunto que desconhece e não respondendo quando lhe indagem o que sabe.
Morre muita gente lentamente, e esta é a morte mais ingrata e traiçoeira, pois quando ela se aproxima de verdade, aí já estamos muito destreinados para percorrer o pouco tempo restante.
Que amanhã, portanto, demore muito para ser o nosso dia. Já que não podemos evitar um final repentino, que ao menosevitemos a morte em suaves prestações, lembrando sempre que estar vivo exige um esforço bem maior que simplesmente respirar.
Martha Medeiros
sábado, 18 de agosto de 2007
O homem e as regras sociais
Ainda mais difícil do que aceitar o desamparo da condição humana, é o de nos depararmos com a nossa insignificância cósmica. Somos um modesto animal - apesar de dispormos de um cérebro de razoável competência, para alguns assuntos ele é bastante inferior ao que supomos - que habita um modesto planeta de um dos bilhões de sistemas solares. E é evidente que nossa vaidade fica bastante ofendida com estas constatações; basta ver a reação de hostilidade desencadeada sobre criaturas como Galileu e Darwin, que nada mais fizeram senão nos mostrar alguns aspectos da nossa insignificância. Na verdade, não gostamos nem mesmo de pensar em assuntos deste tipo; sabemos que é verdade, mas tratamos de mudar nossa atenção o mais rápido possível para a realidade concreta que nos cerca e, com isto, nos distrairmos destas coisas dolorosas e geradoras de desespero e medo. A insignificância cósmica ofende a vaidade humana, de modo que acredito que isto se transforme em um reforço ainda maior no sentido do indivíduo tratar de obter o destaque social, de se sentir importante e significante ao menos por comparação com outros homens. Acho também que isto explica uma correlação, para mim bem evidente, entre vaidade e inteligência: ou seja, quanto mais lúcido da condição humana (e isto é derivado da inteligência), mais frustrado o indivíduo fica e mais busca remédio para sua dor no destaque social. Ao se sentir mais importante (e isto nem sempre tem a ver com mais útil, mais construtivo) a pessoa se sente menos frustrada; e se sente importante porque é reconhecida por outras pessoas, admirada e invejada por elas. Não é difícil perceber como esta peculiaridade da psicologia humana pode ser mais um importante fator para a determinação dos grupos sociais como nós o conhecemos. Alguns se destacam defendendo as regras do jogo estabelecido; são os governantes, os que detêm o poder; são reverenciados, terão estátuas depois de mortos, serão nome de rua; não são tão insignificantes, ao menos à primeira vista, quanto a grande massa da população, que será lembrada apenas pelos familiares (e ainda assim por muito pouco tempo). Sentir-se-ão tanto mais significantes quanto mais tiverem adeptos, pessoas que pensam como eles, obedeçam às suas falas e lhes sigam; inversamente se sentirão brutalmente ofendidos com as oposições que a eles se façam, pois estas são criaturas que também lidam mal com o desamparo (por isso escolheram o sucesso segundo as regras do jogo existente, sem tentar modificá-las). Outras buscam a significância de um modo mais sofisticado, isto é, defendendo pontos de vista mais de acordo com seus sentidos de justiça pessoal e social. São pessoas que se opõem à ordem social mais igualitária; agem, porém, de uma maneira meio “messiânica”, se colocando como os salvadores dos oprimidos. Estão em busca, antes de tudo, de um sentido grandioso para suas vidas, coisa que só será alcançado se forem capazes de “salvar” o seu povo. Compõem-se em grupos minoritários e também tendem para o autoritarismo, pois não toleram divergências de opinião - coisa que bem demonstra a precária construção psicológica destas pessoas. Outros ainda buscam saídas individuais, coisa bastante comum com os de temperamento artístico. Poetas, pintores, filósofos de gênio, músicos, buscam também o destaque social e a significância através de obras que eles pretendem sejam eternas. Mas, como regra, têm vidas bastante extravagantes e costumam ser as criaturas mais coerentes entre o que pensam e o modo como agem (insisto que coerência não implica em não mudar de opinião; a conduta vai mudando junto com as novas idéias). Exercem, como regra, suas vaidades físicas de modo mais direto; vivem em permanente transgressão das regras sociais e chamam a atenção por causa disto. Despertam a admiração e a inveja das pessoas em geral, que adorariam viver desta maneira, mas não o fazem porque não tem coragem.
Flávio Gikovate é médico psicoterapeuta. Conheça o Instituto de Psicoterapia
Flávio Gikovate é médico psicoterapeuta. Conheça o Instituto de Psicoterapia
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Somos todos um
terça-feira, 14 de agosto de 2007
...De dor ou de amor...
somos presenças fugidas
somos ao mesmo tempo
solidão e multidão
desapego e rebeldia;
por isso o próximo minuto
é sempre imprevisível:
- de amor ou de dor?
Apenas a perplexidade
diante da perenidade
momentânea
desse apenas
segundo
cheio de eternidade
Lígia Antunes Leivas
somos ao mesmo tempo
solidão e multidão
desapego e rebeldia;
por isso o próximo minuto
é sempre imprevisível:
- de amor ou de dor?
Apenas a perplexidade
diante da perenidade
momentânea
desse apenas
segundo
cheio de eternidade
Lígia Antunes Leivas
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